segunda-feira, 10 de março de 2008

Os disparadores da escrita 2

A produção de um texto parece ser desencadeada por uma demanda: uma situação pontual nos leva a escrever. Um professor solicita um trabalho, um artigo no jornal sugere uma carta de leitor, uma opinião sobre um fato educacional sugere um artigo etc.
Alguns autores entendem essa situação de demanda da escrita como uma situação retórica, na medida em que um texto resulta de um “constrangimento” do autor para a escrita e ele escreve em resposta a essa demanda.
Também é possível compreender a produção de um texto como ação de um processo dialógico: ao escrever, o escritor entra em diálogo com outro(s) pensamento(s), outro(s) autor(es). Nesse sentido, escrever é um ato de troca, de interação social.
Como ponto de partida, a situação retórica não comanda por si só a produção do texto, mas é dela que decorre uma série de outras decisões que a ela estarão sempre submetidas, uma vez que essa situação que demanda o texto escrito produz os primeiros objetivos do autor, sua predisposição para a tarefa, a seleção das ferramentas, do conteúdo a ser escrito, o gênero textual, dos recursos de linguagem etc. que vai utilizar.
Parece então ser muito importante para os escritores-aprendizes reconhecer a demanda de forma clara, identificar as exigências para fazer as escolhas mais adequadas para sua resposta. Então passa a ter muito valor o repertório de conhecimentos acumulados do escritor, que será então acionado. Mas esse é um outro tema para reflexão.