quinta-feira, 8 de maio de 2008

Manejar estruturas do texto: compor, descompor, recompor

Nem sempre a estrutura de um texto é pré-concebida, mas o exercício de planejamento, para os escritores iniciantes, é auxiliar na compreensão das normas que regem o gênero em produção e na aquisição de esquemas organizativos consistentes.
O texto freqüentemente cresce em ondas concêntricas, não linearmente. Por isso, durante a produção de um texto, ocorre a todo instante parar, reler o já escrito, corrigir (trocar de lugar as seqüências, mudar estruturas frasais, etc.), retomar o texto adiante e prosseguir na sua construção. Ter um planejamento prévio a seguir pode ser importante. Muitas vezes paramos e reformulamos a maior parte do texto até que ele assuma a feição que projetamos para ele, de modo a ser eficaz na comunicação pretendida.
Para o aprendiz é importante estabelecer uma medida nessas idas e vindas ao que já está escrito. O excesso de auto-crítica pode ser um forte inibidor da escrita. Portanto, todo aprendiz deve analisar em que ponto do processo se encontra: se tem pouca experiência e percebe que está num processo pouco produtivo, é melhor seguir em frente e deixar para mexer em seu texto depois de feita uma primeira redação, quando o texto assume um formato, assume uma identidade. Esse procedimento deve perdurar até que, com um pouco mais de prática e soltura, o aprendiz possa manejar as estruturas do texto durante o ato de escrita.
Com a prática e a maturidade no processo de produção de textos, os autores não necessitam planejar antes seu texto e acabam até mesmo por estruturar seus textos durante a produção e não antes, uma vez que já têm domínio dos procedimentos e já aprenderam a compor, descompor e recompor as estruturas, segundo o formato que mais convém a cada gênero e a cada texto de um mesmo gênero. Escrever e polir à medida que o texto avança e progride requer experiência do autor para manter mentalmente a estrutura e não se perder. Esse deve ser um objetivo para todo produtor de textos.
Aprender a manejar as estruturas textuais – uso de parágrafos, de pontuação, das seqüências textuais diversas (narrativas, descritivas, argumentativas, etc.) – é, portanto, tão ou mais importante que saber recortar o tema sobre o qual se pretende escrever, pois, sem esse domínio, não armamos consistentemente o texto, não lhe damos condições de sustentação, enquanto objeto acabado de comunicação. Um texto bem escrito é harmônico, tem unidade em si mesmo.